Pedagogia socrática


Sócrates, por intermédio de Platão, nos relata na Apologia que Querefonte, seu amigo de infância, ao perguntar ao Oráculo de Delfos se existia alguém mais sábio que ele, Sócrates, ouviu que não, não havia homem mais sábio do que o ateniense Sócrates. Ao saber dessa revelação, Sócrates se surpreende, uma vez que como poderia ser o mais sábio se a única coisa que sabia é que não sabia nada.
E pensando sobre isso, Sócrates vai ter com aqueles que julgava ser os verdadeiros sábios. Põe-se, então, a falar com políticos, adivinhos, artesãos entre outros. Percebe Sócrates, que esses cometiam o mais prosaico dos erros: falavam de coisas que aparentemente sabiam. Ou seja, falavam sem saber.
Então, percebe SÓCRATES a sua verdadeira sabedoria: ele, ao contrário dos outros, não se pronunciava quando não sabia. Ele, Sócrates, se calava. Com objetivo de destruir todo tipo de pedantismo que reinava entre os tidos “sábios” atenienses. Sócrates cria um método, ou melhor, um processo pedagógico. Que era constituído de duas etapas: a ironia e a maiêutica.

A ironia
O sentido usado pelos gregos para a palavra ironia é diferente do comumente usado hoje, quando a empregamos para depreciar alguém ou uma situação. Sócrates a utiliza no sentido de interrogação e é nesse momento do seu método que se põe a interrogar seus interlocutores. O objetivo aqui é mostrar que as definições dadas por eles eram permeadas de falsidades e enganos, uma vez que eram construídas a partir de sensações ilusórias. Assim, levava os interlocutores a confessar suas contradições e ignorâncias. É preciso salientar que Sócrates não pretendia mostrar o caminho da verdade, mas sim fazer com que os interlocutores, por conta própria, o encontrassem.

A maiêutica
“Ouçamos” as palavras do próprio Sócrates, no diálogo Teeteto, escrito em 360 a.C:
A minha arte obstétrica tem atribuições iguais às das parteiras, com a diferença de eu não partejar mulher, porém homens, e de acompanhar as almas, não os corpos, em seu trabalho de parto. Porém a grande superioridade da minha arte consiste na faculdade de conhecer de pronto se o que a alma dos jovens está na iminência de conceber é alguma quimera e falsidade ou fruto legítimo ou verdadeiro. Neste particular, sou igualzinho às parteiras: estéril em matéria de sabedoria, tendo grande fundo de verdade a censura que muitos me assacam, de só interrogar os outros, sem nunca apresentar opinião pessoal sobre nenhum assunto, por carecer, justamente, de sabedoria. E a razão é a seguinte: a divindade me incita a partejar os outros, porém me impede de conceber. Por isso mesmo, não sou sábio não havendo um só pensamento que eu possa apresentar como tendo sido invenção de minha alma e por ela dado à luz. Porém, os que tratam comigo, suposto que alguns, no começo parecem de todo ignorantes, com a continuação de nossa convivência, quantos a divindade favorece progridem admiravelmente, tanto no seu próprio julgamento como no de estranhos. O que é fora de dúvida é que nunca aprenderam nada comigo; neles mesmos é que descobrem as coisas belas que põem no mundo, servindo nisso tudo, eu e a divindade como parteira.

Uma vez que reconhecem que seus argumentos são falsos, os interlocutores de Sócrates podem, agora, iniciar o caminho da reconstrução de suas próprias idéias, concebendo-as a partir de si mesmos, e não de Sócrates. Donde ele se compara com as parteiras e tira o nome dessa etapa de seu método: maiêutica quer dizer “Dar luz às idéias.