Paralelismo Progressivo na Interpretação do Livro do Apocalipse.



Dentre as várias formas de interpretação dos eventos narrados no livro de Apocalipse há uma que goza de bastante privilégio, principalmente no meio reformado. Refiro-me ao método de interpretação que divide o livro em seções, geralmente sete. Cada uma das quais recapitula os eventos do mesmo período ao invés de descrever os eventos de períodos sucessivos. Cada uma delas trata da mesma era – o período entre a primeira e a segunda vinda de Cristo – retomando temas anteriores, elaborando-os e desenvolvendo-os ainda mais.
Hoekema utilizando-se do paralelismo progressivo interpreta o Apocalipse como segue:

*A primeira das seções está nos capítulos 1 a 3(...) Conforme lemos estas cartas dirigidas as sete igrejas somos impressionados por duas coisas.Primeiro há referência a eventos, pessoas, recomendações e avisos contidos nestas cartas que valem para as igrejas de todas as épocas.

*A segunda destas seções é a visão dos setes selos que se encontram nos capítulos 4 a 7(...) Nesta visão vemos a igreja sofrendo provas e perseguições sobre o pano de fundo da vitória de Cristo.

*A terceira seção, nos capítulos 8 a 11, descreve as sete trombetas de julgamento. Nessa visão vemos a igreja vingada, protegida e vitoriosa.

*A quarta seção, capítulos 12 a 14, começa com a visão da mulher dando à luz um filho enquanto o dragão espera para devorá-lo logo que ele nasça – uma referência óbvia ao nascimento de Cristo.

*A quinta seção encontra-se nos capítulos 15 e 16. Descreve as sete taças da ira, representando desta forma de maneira bem vívida a visitação final da ira de Deus sobre o que permanecem impenitentes.

*A sexta seção, capítulos 17 a 19, descreve a queda da Babilônia e das bestas. Babilônia representa a cidade do mundo – as forças do secularismo e impiedade que se opõem ao reino de Deus.

*A sétima seção, narra o fim do dragão... Descreve o juízo, o triunfo final de Cristo e sua igreja e o universo restaurado, chamados aqui de novos céus e nova terra.

Embora essas seções sejam paralelas entre si, revelam também certo grau de progressão escatológica. A última seção, por exemplo, leva-nos mais além para o futuro que as outras.
Apesar do juízo final já ter sido anunciado em 1:7 e brevemente descrito em 6:12-17, não é apresentado detalhadamente senão quando chegamos a 20:11-15. Apesar do gozo final dos redimidos já ter sido insinuado em 7:15-17, não encontramos uma descrição detalhada e elaborada da benção da vida na nova terra senão quando chegamos ao capítulo 21. Por essa razão, este método de interpretação é chamado de paralelismo progressivo.