O PERIGO DA APLICAÇÃO DA ANÁLISE EXISTENCIALISTA NA LEITURA DO TEXTO BÍBLICO


Há pessoas que crêem que o objetivo mais importante que podem alcançar no estudo da bíblia é achar indicações e ensinos que possam aplicar-se aos problemas do indivíduo e da sociedade de hoje. Ao estudar o texto bíblico, a pergunta que estas pessoas fazem é: “o que este texto tem a me dizer?”. Os adeptos desta postura tendem a buscar na leitura do texto bíblico somente aqueles ensinos que refletem seus sentimentos e suas próprias opiniões, e mais do que isso, pinçam do texto só aquilo que os satisfaz como também acrescentam ao texto a linguagem de suas opiniões, isto é, seu ponto de vista. Aqueles textos, por exemplo, que não refletem esse ponto de vista é obviamente descartado, infelizmente é desta maneira que a maioria dos crentes tem lido a bíblia hoje.

Entretanto a leitura do texto bíblico não será bem sucedida se não levarmos em consideração a “intenção” do escritor quando fez tal registro. A imposição do ponto de vista do leitor quando da leitura do registro bíblico produzirá uma interpretação por demais “subjetiva” comprometendo o caráter absoluto da verdade bíblica. Precisamos lembrar que o que caracteriza a inspiração do texto bíblico é sem sombra de dúvida, a própria estrutura do texto no registro original. Nunca é sem propósito lembrar que quando a bíblia fala de inspiração, o faz em referência aos “ESCRITOS” e não “ESCRITORES”. De modo que qualquer alteração na estrutura do “texto” porá em cheque a própria afirmação de inspiração do mesmo. Colocar na boca de Paulo ou Pedro aquilo que eles não falaram e não foram inspirados em fazê-lo é no mínimo indecoroso e furta ao texto o seu sentido verdadeiro. Do mesmo modo não é coerente interpretar o texto bíblico à luz do ponto de vista do leitor, é o autor que precisa ser ouvido é dele que se ouvirá a verdade, o texto é inspirado dentro daquele padrão escriturístico usado pelo autor canônico. Por exemplo, um texto bíblico que não é lido dentro daquela estrutura encontrada nele mesmo, perde toda a sua significação e validade original.

Achar por exemplo, que o que Paulo disse, não pode ser aquilo que disse só porque não se encaixa na conjuntura de uma determinada opinião, ou fere determinado ponto de vista sobre tal fato ou coisa, não é uma atitude que se espera de um bom exegeta. Quando o autor bíblico escreve, ele leva em consideração a conjuntura do seu tempo, e foi dentro desta conjuntura que a inspiração e verdade bíblica fora expressa. E é considerando esses aspectos que a leitura da bíblia traz ao leitor o verdadeiro significado e intenção do escritor canônico. E é assim que a leitura bíblica torna-se edificante para seus leitores.