Deus se arrepende?


Do ponto de vista superficial o texto de Gênesis 6.6 que afirma que Deus havia se arrependido de ter criado o homem, parece contradizer outras passagens das Escrituras que afirmam a sua imutabilidade. O que precisa ficar claro aqui é que muitas alusões ao “arrependimento” de Deus, são exemplos claros da figura de retórica chamada “antropomorfismo” ou “antropopatismo”, nesse caso aqui de Gênesis, a figura usada foi um “antropopatismo”. Isto é, atribuir a Deus sentimentos que são pertinentes ao homem. Por exemplo, na profecia de Amós, suas exortações estão misturadas com visões, algumas das quais anunciam horríveis calamidades. No começo do capítulo sete se vê dois juízos quase totalmente destrutivos. Nos versículos 1-3 Amós tem uma visão da destruição da produtividade inteira da terra por uma praga de gafanhotos. Amós então faz uma oração: “Senhor Deus, perdoa, rogo-te; como subsistirá Jacó? Deus atende a oração de Amós, e se arrepende do que disse que iria fazer. Isso tudo foi seguido por uma visão da destruição do mar e da terra por fogo. Amós outra vez faz uma oração. E de novo Deus se arrepende do que disse que iria fazer (Verso 6).

Claramente estas visões devem ser tomadas em sua totalidade. O ensino não é que Deus muda de idéia, mas sim que os tais desastres seriam um castigo justo ao mesmo tempo em que Deus é misericordioso. Deve ser evidente que esta é uma interpretação correta destes versículos pelo fato de que a profecia de Amós em sua totalidade presume firmemente um plano de Deus perfeito e imutável, resultando em um reino eterno de santidade. Veja especialmente a escatologia de Amós 9.Ainda que a nossa maneira de falar não seja idêntica ou a mesma dos escritores bíblicos, temos um paralelo em uso moderno, especialmente em advertências de castigo, em casos que a natureza condicional da advertência não se expressam, porém, se entendem claramente.Um exemplo disso é quando advertimos nossos filhos quando estão fazendo algo errado, dizendo que se não consertarem seus atos eles serão punidos.Eles ao ouvirem tal advertência, cessam com o dito erro. Tanto as crianças, quanto os adultos reconhecem a diferença, entre uma advertência, e a declaração de uma sentença quando já se tem tomado uma decisão final.

Isto é verdade ainda quando as condições relacionadas à advertência não se expressam, mas podem ser entendidas. É desta forma que temos que enxergar o texto de Gênesis e as demais passagens das Escrituras.
Em resumo devemos concluir que figuras como “antropomorfismo” e “antropopatismo” foram usadas pelos escritores bíblicos para que o ser humano viesse a entender a ação divina na história sagrada. É uma forma de os autores sagrados dizerem que o criador do universo não é indiferente ao que acontece neste mundo; Ele age e reage de acordo com a justiça e santidade. Deus não é um ser destituído de sentimentos. Só que Nele, todos os sentimentos são infinitamente perfeitos.