AUGUSTO COMTE E AS LEIS DOS TRÊS ESTADOS


Augusto Comte é o fundador do positivismo. O positivismo é a postura do século XIX que corresponde ao empirismo dos séculos XVII e XVIII. A palavra “positivismo” merece uma explicação acerca do seu sentido técnico, aqui empregado.
Em primeiro lugar, o conhecimento positivo (segundo Comte) se refere ao real, aos fatos, que se constatam com a experiência sensível externa. Por tanto, seu objeto está nas leis que regem os fenômenos. De modo, que temos que afirmar que o positivismo não estuda as causas, ao estilo da filosofia tradicional. A palavra “causa” só tem ali valor descritivo, e sinaliza um fenômeno antecedente a outro; ou seja, um fenômeno que produz efetivamente um segundo.

Desta forma, o positivismo rechaça a metafísica, em quanto ela pretende estudar algo não constatável, e que, por outro lado, é vago e duvidoso. A precisão e a certeza são metas claras da mentalidade positivista.

A segunda característica do positivismo é sua intenção prática. Que está expressa claramente no seu lema: “saber para prever, prever para prover”. Há ainda outro lema positivista: “Ciência, de onde previsão; previsão, de onde ação”. Novamente é possível notar que a especulação abstrata, sem fins práticos, como a da metafísica, não tem lugar no positivismo.

E em último lugar, o positivismo quer se manter dentro de um nível relativo, e rechaça o conhecimento absoluto, como uma quimera. Textualmente, Comte assevera: “O único princípio absoluto é que tudo é relativo”.

Todo pensamento de Comte pode ser sintetizado em um conceito que ficou conhecido como a LEI DOS TRÊS ESTADOS.

Com esta lei Comte quisera descrever as etapas pelas quais atravessou o espírito humano em sua conquista do saber. Os quais são: O estado teológico, o fictício, o estado metafísico, o abstrato, e o estado positivo, o científico.

O estado teológico se caracteriza, pelo fato do homem primitivo tentar explicar os fenômenos que ocorriam na natureza, recorrendo aos deuses, com suas iras e complacências. Os deuses são os que enviam as chuvas, os terremotos, os eclipses e as mudanças de estações.

O segundo estado, o metafísico, a explicação dos fenômenos tende a ser mais racional; se recorrem às essências, substâncias, causas, e entidades ocultas. As teorias abstratas, todavia estão aleijadas da realidade; porém já mostram um avanço, em relação com o recurso aos deuses míticos.

Por fim, nos últimos tempos, o homem tem buscado uma explicação dos fenômenos, sem ter que recorrer a entidades estranhas a eles. Atendendo exclusivamente aos dados proporcionados pela observação, sempre constatáveis, se tem elaborado leis que relacionam uns fenômenos com outros. Desta maneira a ciência está completamente baseada na realidade, se refere ao real, e se constata de um modo preciso e certo. Tal é o estado positivo, verdadeira superação das etapas teológicas e metafísicas.